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Loures – central nuclear de Almaraz, no Estado Espanhol

Maio 22nd, 2016 | by António Tavares

Recomendação – ENCERRAMENTO DA CENTRAL NUCLEAR DE ALMARAZ aprovada na Sessão de da AML de 12/Maio/2016

A central nuclear de Almaraz, no Estado Espanhol, é a central nuclear mais próxima de Portugal. Situa-se a apenas uma centena de quilómetros da fronteira. Os dois reatores nucleares entraram em funcionamento em 1981 e 1983, sendo dos mais envelhecidos do Estado Espanhol, o que levanta preocupações, agravadas pelos sucessivos incidentes registados. Não obstante, os governos de Madrid têm respondido às autoridades regionais da Extremadura, tal como ao Governo da República Portuguesa, invocando “garantias de segurança”. Assim foi de novo agora, como informou no Parlamento o primeiro-ministro António Costa.

Em maio de 2015, era noticiado o desleixo na vigilância contra incêndios na central nuclear. Pouco depois, no verão, a Greenpeace divulgava um estudo europeu sobre a aplicação dos mínimos de segurança estabelecidos depois do acidente de Fukushima, no Japão, em 2011. Para a organização, “Almaraz não é segura e não se deveria permitir a manutenção da sua atividade”.

Há apenas dois meses, cinco inspetores do Conselho de Segurança Nuclear do Estado Espanhol vieram a público quebrar o silêncio. Depois da última vistoria à central nuclear, motivada por repetidas avarias nos motores das bombas de água, ficou claro que o sistema de refrigeração não dá garantias suficientes e que, dizem os técnicos, coloca sério risco de segurança.

Almaraz é apresentada pela Greenpeace como um caso extremo. A central não cumpre pontos essenciais: não tem válvulas de segurança e sistemas de ventilação filtrada para prevenir uma explosão de hidrogénio como a que ocorreu em Fukushima; não tem dispositivo eficaz para contenção da radioatividade em caso de acidente grave; não tem avaliação de riscos naturais; não está sequer prevista a implantação de um escape alternativo para calor. Depois do relato dos inspetores, já se registou em fevereiro nova avaria e um incêndio.

No dia mundial da água realizou-se uma audição a várias associações ambientalistas na comissão parlamentar do Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação sobre o estado do rio Tejo. Nessa ocasião, o PSD alterou a sua posição relativamente a Almaraz, passando a exigir, como explicou o deputado Manual Frexes, o encerramento desta central nuclear. Trata-se de uma mudança importante, depois de décadas de passividade e de quatro anos de inação no Governo, quando as responsabilidades do PSD poderiam ter-se traduzido em iniciativa governamental junto das autoridades espanholas.

A contestação à energia nuclear e em especial às centrais mais antigas alastra pela Europa. Um conjunto de municípios alemães, luxemburgueses e holandeses (Dusseldorf, Colónia, Maastricht e Cidade do Luxemburgo, entre outras) acabam de abrir um processo no Tribunal Europeu de Justiça pelo encerramento de dois reatores nucleares com 40 anos situados na Bélgica.

As consequências de um acidente nuclear grave são enormes, com implicações na vida e na saúde de gerações, com contaminação em larga escala, pelo ar e pelo Tejo, podendo levar a um êxodo de populações.

A segurança das populações, fronteiriças e não só, vale mais do que os lucros dos acionistas da central (Endesa, Iberdrola e União Fenosa). O argumento de que a energia nuclear é barata apenas se sustenta pela imputação à sociedade dos gravíssimos custos de uma catástrofe.

O perigo representado pela central nuclear de Almaraz não pode ser ignorado nem negligenciado. É necessário que o Governo Português desenvolva todos os esforços junto das entidades espanholas no sentido de garantir o encerramento da central. O encerramento de Almaraz não é só a exigência das populações ameaçadas. É o único objetivo responsável para um governo português.

Recentemente, Naoto Kan – primeiro-ministro japonês aquando do acidente de Fukushima – defendeu o encerramento de “todas as centrais nucleares”. Cinco anos após a tragédia, reconheceu que, antes do acidente, não concebeu que o Japão pudesse passar por semelhante cenário. Estas declarações demonstram que a prevenção é a única política sensata.

Assim, a Assembleia Municipal de Loures, reunida na 2ª Sessão Extraordinária no dia 12 de Maio de 2016, delibera recomendar:

1 – Ao Governo que tome todas as iniciativas necessárias, junto do Estado Espanhol e das instituições europeias, no sentido do encerramento da central nuclear de Almaraz;

2 – À Câmara Municipal e Loures, onde parte do seu território é banhado pelo rio Tejo e cujo último afluente, o rio Trancão, atravessa uma vasta área do seu concelho, que tome posição pública quanto ao encerramento da central nuclear de Almaraz, nomeadamente através de resolução aprovada em sessão camarária;

3 – À Assembleia Municipal de Loures, que tem no seu território um reator nuclear sediado na localidade da Bobadela, que solicite, ao Instituto Superior Técnico com caráter de urgência, um relatório sobre o seu funcionamento, concretamente sobre o seu “prazo de validade” e quais os planos de emergência previstos, em caso de acidente;

4 – À Assembleia Municipal e Loures, que promova uma visita ao Instituto Tecnológico e Nuclear na Bobadela, onde inclua os representantes de todas as forças políticas aqui representadas, tendo em vista a aferição das condições de funcionamento desta instituição pública;

4 – Enviar a presente recomendação a sua Excelência o Presidente da República, ao Presidente da Assembleia da República, aos Grupos Parlamentares na Assembleia da República, à Embaixada da Espanha em Lisboa, à Câmara Municipal e Loures e à comunicação social.

O eleito do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Loures

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