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AFINAL QUEM MANDA ? – Oliveira Dias

Fevereiro 21st, 2013 | by António Tavares

topo_oliveiradias-louresOs tempos que correm, são bem diferentes dos que correram outrora, não que os problemas sejam diferentes, do passo, mas porque são mais subliminares aos olhares do cidadão.

Guerras houve, em épocas passadas, para o controlo de nações, reinos ou civilizações, apenas para aumentar o poder deste ou daquele déspota, deste ou daquele demente por poder.

Hoje as guerras são outras, mas os objectivos são os mesmos – o controlo exclusivo de recursos, através dos quais se possa submeter outras nações, mas com capa de cordeiro, como bem elucida a parábola do lobo com pele de cordeiro.

Assistimos, neste exacto momento a um doloroso diferendo entre Loures e Odivelas por causa de um recurso, a que alguém já chamou o “ouro” do futuro, sim falamos desse recurso natural que é a água.

Chega-me a noticia de ter a União Europeia (esse defunto europeu em quem se fundaram muitas, e agora goradas, esperanças e expetativas) imposto uma directiva aos Estados membros para a retirada da gestão da água para consumo humano, da esfera pública, para a esfera privada.

Não me parece, salvo prova em contrário, que o diferendo acima aludido, tenha directamente a ver com essa directiva europeia, as razões serão outras, mas que vem a talhe de foice, dada a premência do assunto, isso vem.

Já não bastava que uma trindade de técnicos, principescamente remunerados, viesse, a Portugal, representando os respectivos patrões, UE, FMI e BCE, os tais que desesperaram por Portugal lhes estender o tapete vermelho, sob a aparência de nos ajudarem (isto é um eufemismo para dizer que nos impingiram a compra de dinheiro, para lucrarem muitíssimo com essa venda, a que chamaram resgate ou empréstimo), e ainda temos de andar enganados com a ocultação de verdades incómodas.

Já todos perceberam que em Portugal são estes técnicos que põem e dispõem a seu bel prazer, fazendo de nós, portugueses, laboratórios das ideias neo-liberais que estudaram.

Nós os portugueses ainda achamos, ou pelo menos gostamos de pensar, que o nosso governo ainda manda alguma coisa.

Veja-se o cenário com visão de helicóptero (ou à Google earth se quiserem):

Há não muito tempo veio a público, na imprensa europeia, um escândalo sobre uma “Acta de Chanceler”, um documento que os Chanceleres da Alemanha Federal (ex-RFA) seriam obrigados a assinar antes de tomarem posse. Esse documento fazia parte, segundo essa notícia, de um tratado imposto pelos vencedores da segunda grande guerra (América do Norte, Inglaterra e França), pelo qual forçavam à submissão dos governantes alemães até ao ano 2099.

De acordo com esse tratado (imposto unilateralmente) as reservas de Ouro alemãs ficariam penhoradas, durante esse período.

Isto foi tornado público em 2007, pela mão de quem sabia da coisa, e não desmentido até hoje note-se, o Major General Gerd-Helmut Komossa, ex-chefe dos Serviços de informação militares da RFA.

Perante isto aquela famosa frase de Kennedy, em Berlim “ich binn einen berliner” (eu sou berlinense) faz hoje, para mim, um sentido completamente diferente. Fica-se eu com o ouro todo das Ilhas Caimão e ia logo lá gritar até me doerem os pulmões “eu sou camaronês”.

Recordo quando uma ocasião me perguntaram  na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, quais as razões de uma economicamente poderosa Alemanha para se juntar à CEE (ainda não era UE) eu ter dissertado sobre a conveniência de um poderoso (Alemanha) preferir agregar à sua volta, na boa paz, todos os menos poderosos, a fim de não serem tentados a aliarem-se contar o poderoso, e dou agora comigo a pensar que afinal a razão pode bem ter sido bem distinta.

Qual seria ela então ? veja-se ter a União Europeia 2 dos 3 vencedores que impuseram ao povo alemão a humilhação (mais uma depois de Versalhes/1ª grande guerra) acima referida (Inglaterra e França). A América afastada geograficamente tem na Inglaterra um poderoso aliado. Ora se a Alemanha jogasse no mesmo tabuleiro da Inglaterra e França, como parceiro, comungando os mesmos objectivos fundadores da CEE, conseguiria aliviar tremendamente a pressão daquele ignóbil tratado – afinal os parceiros protegem-se não é ? Isto funciona assim como que uma válvula de escape.

O Japão não teve essa válvula de escape e ainda hoje as suas forças armadas são absolutamente residuais, pois os americanos, após a rendição do Japão, chamaram a si a defesa militar daquele país, razão porque o contingente de forças americanas estacionadas no Japão é imenso.

A vantagem para os Japoneses foi não terem de fazer dispêndios na área da defesa e assim puderam canalizar essas verbas para outros sectores como o da industrialização. Com o sucesso que se conhece.

Fraca glória. Os Japoneses têm as melhores e mais eficientes formas de produzirem com qualidade, mas estão sob ocupação estrangeira.

Os Alemães tem enormes reservas de ouro … à guarda dos americanos no outro lado do oceano.

Portugal tem ao menos, as suas reservas de Ouro, guardadas num bunker especialmente mandado fazer ali para o Ribatejo, mas em contrapartida as nossas reservas energéticas de petróleo (que dão para 3 meses de autossuficiência) estão guardadas na Alemanha ! Pasme-se.

Mas não fica por aqui, porque falta dizer onde estão as nossas reservas energéticas de Gáz … estão em Espanha ! Novamente pasmo.

Alguém me explique as razões que subjazem á decisão de colocar as nossas reservas energéticas, seja a de petróleo seja a de Gaz, fora do nosso país.

Quanto ás reservas de Ouro, se a boa noticia é elas estarem, ainda na nossa posse, a má noticia é esta – Portugal dificilmente conseguirá pagar a sua divida ao FMI, à UE, e ao BCE, nos termos em que está formatada, assim os lucros, para aquelas entidades, do resgate ao nosso país, cobrirão e ultrapassarão o valor das nossas reservas (15 mil milhões de euros, ou 15 biliões conforme preferirem). Bom na prática é como se tivéssemos transferido TAMBÉM o nosso ouro para fora das nossas fronteiras.

A humanidade até pode sobreviver sem petróleo, sem gaz e sem ouro, mas sem água não conheço nenhuma civilização que tivesse conseguido passar sem ela.

Temos de mostrar a esse comissário europeu – Afinal quem manda aqui ?

 

Oliveira Dias, Politólogo

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