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Um Projecto de desenvolvimento Regional

Agosto 27th, 2010 | by António Tavares

Desde finais do século XIX que os habitantes da região saloia reivindicaram, insistente e consistentemente, a construção de uma linha-férrea que percorresse o território do Termo transversalmente.

Uma Comissão de Melhoramentos do concelho de Loures apresentou, em 1912, a seguinte proposta de traçado:

– partindo de Lisboa por Campolide, com estações na Luz, Odivelas, Caneças, Loures, Tojais, Fanhões, Bucelas, Freixial, Montachique, Malveira, ….., até à Ericeira.

No relatório que integrava essa proposta, afirmavam que este pedido já tinha sido feito há 20 anos atrás, portanto em 1882.

Em 1924, o vice-presidente da Câmara de Loures retomou esta questão de uma via de comunicação inter-regional e propunha o seguinte traçado: Lisboa, Odivelas, Caneças, Loures, Montachique, Bucelas, Vila Franca de Xira, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agraço, Mafra, Ericeira.

E explica porquê:

“Tornar vilas trabalhadoras e de largo futuro, actualmente engarrafadas pela dificuldade de comunicação, centros comerciais de contacto rápido e constante com Lisboa… e tornar Vila Franca, ligada pela sua ponte com o sul e com o resto do país (pelas vias Norte, Oeste, – ramal Loures-Arruda e fluvial), o centro preferido, o entreposto indiscutível do mais largo movimento e assegurado futuro dos nossos centros de comunicações.

E de que séries de empresas e de indústrias esse caminho-de-ferro não poderá ser origem.

As facilidades agrícolas justificariam esse empreendimento; o direito que todos estes povos têm a uma parcela de bem-estar e civilização, tornam obrigatória a sua construção; as riquezas naturais, actualmente inexploradas ou em estado primitivo, como os mármores, impunham-no, para a riqueza do país, como necessário. Mas não são apenas os mármores; é também a indústria dos carbonetos e mais riquezas a explorar e que na região têm matérias-primas e ficará, pelo caminho-de-ferro, a uma hora do ponto de embarque. E tantas outras coisas…”

Este projecto considerava ainda as zonas com potencialidades turísticas:

“Servir uma zona de repouso como Caneças e Montachique, estabelecer, pelo transporte regular, estadias de Verão nessa travessia de pequenas montanhas que vai até ao Oceano, à Ericeira…”

Uma equipa técnica realizou estudos na globalidade e na especialidade e, depois de concebido e traçado o projecto, acompanharia a obra. O vice-presidente da Câmara de Loures, Augusto Dias da Silva era, como político, o elemento dinamizador e aglutinador, como se depreende de um artigo publicado em Novembro de 1924, no jornal “Vida Ribatejana”:

“Por motivo da ponte sobre o Tejo, que ligará a futura cidade ribatejana ao sul do país, estiveram em Vila Franca, na passada terça feira, acompanhados de Dias da Silva (que, com a conhecida persistência, promete levar a bom fim o útil melhoramento), os Engenheiros encarregados dos respectivos estudos. Eram esperados pelo Presidente da Comissão Executiva, Sr. António Lúcio Baptista e pelos Sr.ºs José Santos Natividade, António Redol da Cruz e António de Oliveira Raimundo. A visita tinha por fim fornecer ao Engenheiro alemão, representante da casa proponente, os elementos necessários para o estudo da parte metálica da importante obra. Os visitantes tiveram ocasião de constatar mais uma vez, a riqueza que esse tão necessário e ambicionado melhoramento virá trazer à capital ribatejana.”

Considerando estas fontes impressas, era estreita a colaboração autárquica, motivada por interesses comuns de desenvolvimento. Registe-se, com agrado, o facto de, apesar dos novos meios de comunicação, se continuar a apostar, também, na “via fluvial”.

Os povos e seus líderes nunca desistiram do transporte ferro-carril, mas o estado, a partir de 1926 andou a “encanar a perna à rã” durante 8 anos, acabando por arquivar definitivamente o processo em 1934.

Os projectos centrados numa região eram justificados naquele tempo, pois congregavam esforços e meios que facilitavam a sua concretização.

Este caminho de ferro nunca se construiu e as vias rodoviárias desta zona, nunca se viram livres de engarrafamentos.

 Maria Máxima Vaz

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