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Viagem ao “berço” da IKEA

Maio 18th, 2010 | by António Tavares

“A filosofia da IKEA é fazer da forretice uma coisa fixe”, dizia, meio a sério, meio a brincar, um jornalista que visitava Älmhult, a pequena povoação sueca onde nasceu a empresa líder mundial na área do mobiliário.

Apesar de pouco lisonjeira para um “império” que abrange hoje cerca de 100 mil colaboradores em todo o mundo e facturou 21,5 mil milhões de euros em 2009, a frase tem um fundo de verdade.

O espírito de poupança e a capacidade de fazer muito gastando o mínimo de recursos fazem parte do código genético dos habitantes de Smaland (onde se situa Älmhult), uma região onde escasseiam as matérias-primas e as potencialidades naturais.

Foi naquela terra de terrenos inférteis que cresceu Ingvar Kamprad, o fundador da IKEA. Começou por vender fósforos com apenas cinco anos. Foi alargando a sua gama de produtos e, em 1943, com 17 anos, fundou a IKEA, sigla de Ingvar Kamprad Elmtaryd Agunnaryd. Elmtaryd é o nome da quinta onde o fundador nasceu e Agunnaryd a vila onde se situava.

Passados 67 anos, a IKEA é um colosso com perto de 300 lojas em quatro continentes, que recebem quase 600 milhões de visitantes por ano. E Ingvar Kamprad é um dos dez homens mais ricos do mundo, apesar de conduzir um carro com 17 anos e de continuar a voar sempre em classe económica.

O fundador tornou-se um mito vivo entre os colaboradores – expressão que a IKEA prefere a funcionários – da empresa, que guardam os seus ensinamentos e frases sábias como se de um líder religioso se tratasse.

 Mari Gustafsson, a actual directora da primeira loja do grupo, em Älmult, não tem palavras para a emoção que foi ter Ingvar Kamprad ao seu lado durante a comemoração do 50º aniversário do estabelecimento. “Deu-me dois beijinhos. Não lavei a cara durante dias”, diz. Uma brincadeira, é certo, mas reveladora.

Älmhult é uma povoação atípica, com oito mil habitantes, metade dos quais trabalha na IKEA. Para além do hotel oficial da empresa, existe apenas outra unidade, também inteiramente mobilada pela marca sueca, em cujos quartos os hóspedes encontram duas “bíblias”. A primeira é o Novo Testamento, condizente com a fé protestante da maioria dos suecos; a segunda é um catálogo do IKEA.

Luís Garcia

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